terça-feira, 21 de agosto de 2012

Pesquisa aponta crescimento do mercado de condomínios logísticos

Uma pesquisa realizada pelo Instituto de Logística e Supply Chain – ILOS, e apresentada hoje durante o primeiro dia do 18o Fórum Internacional de Logística, no Rio de Janeiro, mostrou que a oferta de área em condomínios logísticos (CLs) vem crescendo cerca em 30% ao ano entre 2009 e 2011, porém ainda é insuficiente para atender à crescente demanda por estas instalações. Entre os participantes da pesquisa que são usuários de CLs, 87% afirmaram que a estrutura ofertada ainda é escassa no País.
De acordo com o estudo, apresentado pelo presidente do ILOS, professor Paulo Fleury, a área ofertada dentro de condomínios passou de 3,4 milhões de m2 em 2009 para 5,7 milhões de m2 em 2011, devendo fechar 2012 com 8,5 milhões de m2 e atingir 17 milhões de m2 entre 2014 e 2016. O trabalho considera condomínios logísticos estruturas que ofereçam simultaneamente compartilhamento de infraestrutura e custos, que sejam organizados em módulos e que ofertem um conjunto de serviços especiais.
A pesquisa revelou que o Sudeste – principalmente o estado de São Paulo – concentra a maior oferta de área (90%) totalizando cerca de cinco milhões de m2 até o primeiro trimestre de 2012, com crescimento de 10% em média por trimestre. O maior crescimento, porém, é na Região Nordeste (39% por trimestre), que concentra 37% e possui 340 mil m2 de área.
Entre os fatores que fazem pesar a preferência pelo Sudeste está principalmente a oferta de infraestrutura de transportes (grande parte dos condomínios está situada à beira dos grandes eixos rodoviários), a proximidade com os mercados consumidores, a possibilidade de circular sem restrições pelos grandes centros urbanos e os incentivos fiscais.
A pesquisa do ILOS revelou, também, que os preços do metro quadrado acompanham a demanda por áreas, tendo saltado de R$ 16,6 ao final de 2009 para R$ 19,3 no início de 2012 nos condomínios logísticos considerados Classe A e A+. Os estados com maior procura – Rio de Janeiro e São Paulo –, são também os que apresentam maior variação de preços.
Usuários
A pesquisa revelou ainda que, entre os operadores logísticos que oferecem serviços de armazenagem aos clientes, 50% utilizam condomínios logísticos e 50% ainda preferem galpões individuais. A localização, o maior nível de segurança patrimonial e a maior infraestrutura física oferecida são os principais fatores que levam as empresas a preferir os CLs. Já as principais desvantagens apontadas pelos usuários dos condomínios são o alto custo do aluguel, em comparação às estruturas dedicadas, o pátio insuficiente para o volume de operações e a dificuldade de crescimento dentro de um mesmo condomínio. Este último fator pode explicar porque tantos empreendimentos do gênero já nascem com planos concretos de expansão futura.
As principais atividades exercidas dentro dessas estruturas logísticas são os serviços de armazenagem, cross-docking e consolidação de carga, seguidos de longe pela montagem de kits e conjuntos, embalamento e cross-docking, o que revela uma mudança de finalidade desses centros, que deixaram de ser locais de guarda de produtos para tornarem-se estruturas de processamento.
Os usuários, em média, consideram a qualidade dos condomínios existentes muito boa, pois de uma nota mínima de cinco e máxima de dez, todas as regiões avaliaram suas estruturas entre médias, de 7,3 e 8,0. E mesmo com 79% dos respondentes afirmando que os aluguéis em condomínios são mais caros que em áreas dedicadas, 57% afirmaram que sua empresa se disporia a pagar a mais por uma área dentro de um CL. E, no futuro, 60% disseram que pretendem procurar área dentro de um condomínio, contra apenas 3% que disseram não ter isso dentro de seu planejamento.
Entre as regiões em que os participantes mais pretendem alugar condomínios estão o Sudeste, com 56%, e o Nordeste, com 50% dos participantes apontando interesse em possuir área, lembrando que a escolha de uma região prioritária não elimina as outras.
Para Fleury, este crescimento de oferta e procura por condomínios logísticos é positivo para o desenvolvimento da logística, pois permite que operadores de menor porte possam oferecer serviços de melhor qualidade, contando com estruturas de primeira linha a custos menores, pois, embora o valor do aluguel nessas áreas seja maior que em armazéns separados, as vantagens de uma boa localização, maior segurança e melhores níveis de serviço podem redundar em custos totais menores.
O presidente do ILOS destacou ainda a importância dessas áreas na malha logística brasileira. Maior exemplo disso, apontou, é que um dos principais entraves ao cumprimento da nova regulamentação dos motoristas profissionais é justamente a área para descanso obrigatório, que em muitas rotas é inexistente. “O governo deveria mapear e incentivar a construção de CLs em áreas carentes, que poderiam, além dos serviços logísticos propriamente ditos, suprir esta necessidade de área de descanso para os motoristas”.
Fleury lembra, ainda, que o quesito armazenagem, tão fundamental para a logística, ficou de fora no novo plano anunciado pela presidente Dilma Rousseff na semana passada, que não considerou áreas de terminais nos projetos de rodovias e ferrovias. “O crescimento do número e da qualidade de estruturas de armazenagem deveria ser fomentado pelo governo, até como forma de aumento de competitividade da logística brasileira”, destacou.

Crédito da foto: Natura

Nenhum comentário:

Postar um comentário

AddToAny